Lançados editais de Bioeconomia para empresas de R$28 Milhões não reembolsáveis

Lançados editais de Bioeconomia para empresas de R$28 Milhões

A Finep e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) lançaram, no dia 1/7, dois editais voltados para a área de Bioeconomia. A Seleção Pública Finep/MCTI Programa Cadeias Produtivas da Bioeconomia vai destinar R$ 28 milhões em recursos não reembolsáveis do FNDCT para projetos liderados por ICTs brasileiras que solucionem os gargalos científicos e tecnológicos existentes na estruturação das cadeias produtivas baseadas na biodiversidade brasileira, tais como o aproveitamento de resíduos, a utilização eficiente da matéria-prima, o desenvolvimento de novos produtos baseados na biodiversidade local, entre outros.

Existem gargalos no processamento e armazenamento de frutos e castanhas, por exemplo, bem como problemas de padronização, de ausência de boas práticas de manejo e processamento, que dificultam o estabelecimento de um padrão comercial que a indústria possa usar.

Essas soluções deverão demonstrar os ganhos esperados e seu potencial de agregação de valor para o benefício das populações locais que atuam nos elos iniciais das cadeias produtivas de bioeconomia, melhorando sua qualidade de vida.

O recebimento de propostas vai até 30 de novembro. O valor aplicado, por projeto, será de um mínimo de R$ 500 mil ao teto de R$ 2 milhões.

Já a Seleção Pública Bioeconomia em Biomas Brasileiros, no valor de R$ 12 milhões de recursos de Subvenção Econômica, destina-se a projetos de empresas, buscando assim consolidar negócios sustentáveis a partir da biodiversidade brasileira, aumentar a oferta de empregos e renda e garantir a segurança alimentar e nutricional. Objetiva ainda a preservação dos biomas brasileiros através de um desenvolvimento socioeconômico sustentável e associado à biodiversidade nacional.

Finep/MCTI lança editais de Bioeconomia para empresas e ICTs

Em comum, ambos os editais têm como exigência de que os proponentes apresentem Carta de Anuência das comunidades locais, onde os biomas objeto das propostas, se localizam. A medida visa o trabalho conjunto com essas comunidades garantindo a proteção do bioma e focando em suas reais necessidades de desenvolvimento.

 

O que é Bioeconomia?

Bioeconomia é um modelo de produção industrial baseado no uso de recursos biológicos. O objetivo é oferecer soluções para a sustentabilidade dos sistemas de produção com vistas à substituição de recursos fósseis e não renováveis.

Segundo dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), a bioeconomia movimenta no mercado mundial cerca de 2 trilhões de euros e gera cerca de 22 milhões de empregos.

No Brasil, a bioeconomia tem potencial para utilizar e aprimorar toda a multifuncionalidade da agricultura em prol da produção de alimentos, fibra, energia, prestação de serviços ambientais e ecossistêmicos, química verde e novos insumos.

 

Confira exemplos de Tecnologia aplicada em Bioeconomia.

Processo de biodegradação da casca do coco no menor tempo possível, transformando esse e outros resíduos do coqueiro em substratos e compostos/adubos orgânicos como alternativa para os sistemas de produção agrícola.

Tecnologia para biodegradação aplicada em Bioeconomia O processo consiste na coleta dos resíduos do coqueiro e trituração em máquinas, com geração de fibra e pó que serão utilizados como matéria-prima na confecção de compostos orgânicos. As etapas deste processo consistem em trituração, lavagem e hidrolização ácida das fibras, inoculação das fibras com acelerador biológico e montagem, monitoramento e manejo da leira de compostagem aeróbica.

O composto ou adubo orgânico resultante deste processo pode ser aplicado diretamente no solo. Para culturas perenes essa aplicação pode ser feita quando atingir 50% do estágio de humificação do composto.

O fruto do coqueiro é constituído por albúmen líquido (água-de-coco), albúmen sólido ou amêndoa, endocarpo conhecido popularmente como “quenga” e casca. A casca representa em torno de 57% do fruto sendo composta pelo mesocarpo (fibra e pó) e epicarpo (camada mais externa da casca). O volume e o peso da casca variam com as condições edafoclimáticas da região de plantio, a adubação, os tratos culturais e fitossanitários do coqueiro e a variedade cultivada.

As cascas, na forma de “briquetes” ou “blocos prensados” podem ser aproveitadas como carvão vegetal em substituição ao carvão de madeira, com grandes vantagens ecológicas e rendendo um valor calórico entre 3.000 kcals/Kg e 4.000 kcals/Kg.

O mesocarpo do fruto, constituído por aproximadamente 30% de fibra e 70% de pó consiste, basicamente, em lignina e celulose de lenta biodegradação, levando de oito a dez anos para se decompor na natureza. A fibra tem grande utilidade na indústria de carpetes, estofamento de carros, escovas, placas usadas como isolantes térmicos e acústico, placas de conglomerados, aditivo de gesso na construção civil, cordas, biomantas para contenção de erosão laminar, vasos e placas para cultivo de plantas ornamentais.

O pó originado da trituração da casca pode ser denominado de “vermiculita vegetal” por apresentar características físicas semelhantes à vermiculita e constituir excelente matéria-prima infinita e renovável para fabricação de substratos.

Para entender todo o processo para transformar todos os resíduos em fertilizante, clique aqui, e acesse o material em PDF